RESPOSTA DA FÉ
A resposta do homem ao Deus que se Revela é denominada pela Sagrada Escritura de obediência da fé. Isso porque obedecer na fé significa submeter-se livremente à palavra ouvida, já que Deus garante a verdade dessa palavra, sendo ele a própria Verdade.
A fé do homem se divide em duas fontes de ação distintas: a fé é em primeiro lugar uma graça, e, portanto, uma ação Divina; e, em segundo lugar a fé é um ato livre do ser humano, e, portanto uma ação humana. Ou seja, a fé é um dom dado por Deus, já que as verdades sobrenaturais ultrapassam nossa compreensão, mas essas verdades sobrenaturais devem ser acolhidas pela liberdade humana, pela vontade, e apresentar motivos racionais para serem cridos, pelo intelecto.
No entanto a fé não é um movimento cego do espirito, mas é auxiliada pela razão. A fé não é uma crença apenas individual, que crê sem motivos, antes de a fé ser um salto no escuro, ela é uma luz capaz de irradiar toda a existência humana. Por isso, quis Deus que além dos auxílios interiores do Espirito Santo, tivéssemos algumas provas por meio de sua Revelação, adaptadas a inteligência de todos. Essas provas são basicamente: 1. Os milagres de Cristo e dos santos; 2. As profecias; 3. A propagação e a santidade da Igreja; 4. A sublimidade da doutrina de Cristo; 5. A conformidade entre a doutrina de Cristo e as mais profundas aspirações do homem.
No entanto, essas provas não são fechadas e não constituem uma prova argumentativa, como uma certeza racional, mas são como que sinais que apontam para uma maior probabilidade de certeza. A razão não pode garantir sozinha a Verdade da Revelação, mas pode apontar para ela e acolhê-la. Isso porque, no fundo, o que garante a certeza da Revelação, é a autoridade daquele que se Revela. Ele, sendo a própria verdade, não poderia se enganar e nem nos enganar, por isso é preferível que o homem duvide de si mesmo, do que duvidar da Revelação de Deus. É certo que muitas vezes o homem se engane, mas não Deus.
Assim, o bem aventurado Cardeal Newman diz que “Crer é essencialmente o acolhimento de uma verdade que a nossa razão não consegue atingir, um acolhimento simples e incondicional, como se se tratasse de uma prova”. Neste sentido o Pe. Penido apresenta um conceito de fé: “Fé é um assentimento firme a uma afirmação, em virtude da idoneidade (fidelidade, capacidade, honestidade, autoridade) de quem afirma”. É autoridade de quem fala que garante a veracidade do que é falado.
Cristo desceu aos infernos (Descendit ad inferos)
O Credo afirma que
Cristo desceu aos infernos (desceu a mansão dos mortos). O sentido da palavra
latina inferos é “lugares inferiores
ou lugares baixos”. Aqui, por inferno se entende aquele lugar em que estavam as
almas dos justos esperando a redenção por Jesus Cristo. Não se trata do inferno
da condenação (Geena), nem mesmo do
purgatório, mas do ‘lugar’ onde estavam os justos, ou seja, aqueles que
morreram no estado de graça, de amizade com Deus. Esse ‘lugar’ é, muitas vezes,
chamado de 1. Sheol (Hebraico), 2. Hades (grego), 3. Seio de Abraão, 4. Limbo
(linguagem não bíblica).
Após a morte de Cristo, Sua Alma
desceu aos infernos, e ficou todo o tempo que Seu Corpo esteve no sepulcro. Com
estas palavras, confessamos igualmente que a mesma Pessoa de Cristo esteve nos
Infernos, ao mesmo tempo que estava no túmulo. Este fato não deve estranhar a
ninguém. Pois, a Divindade nunca se separou da alma e nem do corpo, não
obstante a separação que houve entre alma e corpo[1].
Ora, Cristo Nosso Senhor desceu aos
infernos, não para sofrer alguma pena, mas para livrar os Santos e Justos
daquele doloroso cativeiro, e para lhes aplicar os frutos de Sua Paixão.
Portanto, a descida aos infernos não diminuiu coisa alguma de Sua absoluta
dignidade e soberania[2].
Para melhor apanharmos o sentido deste
Mistério, devemos recordar muitas vezes uma grande verdade: Todos os justos,
não só os que no mundo nasceram depois da vinda de Nosso Senhor, mas também os
que hão de existir até a consumação dos séculos, conseguem salvar-se unicamente
pelo benefício de Sua Paixão.
Por esse motivo, antes da Morte e Ressurreição de Cristo, as portas do céu não se abriram jamais a nenhum dos homens. Quando morriam, as almas dos justos eram levadas ao Sheol (mansão dos mortos) ou eram purificadas no fogo do Purgatório, como ainda hoje se dá com todos aqueles que tenham de lavar alguma mancha[3].